É tarde da noite e o fotógrafo argentino David Beniluz dá expediente na sua escola de fotografia, localizada no bairro de Palermo Chico, em Buenos Aires, na Argentina.
Concentrado, ele conversa com os alunos sobre as imagens apresentadas quando é interrompido para observar uma foto entregue em suas mãos. O fato seria corriqueiro se não fosse protagonizado por um artista especial. A fotografia, revelada há pouco no laboratório que mantém no local, nasceu do olhar de um dos cerca de 20 estudantes com deficiência intelectual que freqüentam as aulas que ele também ministra em instituições locais. Após falar sobre a qualidade da revelação, ele cumprimenta o aluno que, orgulhoso, volta para o laboratório, pronto para mais aprendizado.
Essa é parte da rotina do fotógrafo que já viveu no Brasil e levou, na bagagem, a fluência na língua portuguesa e o amor por pessoas e momentos vividos em São Paulo, na década de 1990. O retorno à sua pátria se deu após um novo período em terras estrangeiras, quando trabalhou em São Francisco, nos Estados Unidos.
Em Buenos Aires, ele recomeçou a dar aulas abrindo espaço para esses alunos especiais, a quem ele se refere como portadores de “descapacidade mental”, palavra não encontrada na língua portuguesa e diferente da expressão “pessoas com deficiência intelectual” utilizada desde 2004, quando ocorreu a assinatura, pela OPS/OMS, da Declaração de Montreal, no Canadá, para designar aqueles que têm deficiência mental.
(Confira a entrevista completa na edição impressa # 11 da Fotógraphos)